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Maia, Moreira da Maia, Portugal
Nascido a 11/10/1975-Casado Profissão:Assistente Técnico em Laboratório de Alta Tensão Empresa-EFACEC Contacto: jorgeivone@gmail.com

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Aventura na Grancanaria 2011

The North Face Transgrancanaria 2011

Desnível: 8.500m


Distancia: 123kms

Tempo Limite: 30horas

Sexta-feira dia 4/03/2011, 15.00horas check-in no aeroporto para rumar a Grancanaria.
Ao contrário da maioria dos atletas a chegada a Ilha Espanhola estava prevista 5horas antes da partida, factor que causava ansiedade e nervosismo, por fim a hora prevista estávamos em solo Espanhol.

A 1º preocupação foi jantar, para de seguida, apanhar o autocarro que nos levaria a partida- Praia dos Ingleses – Maspalomas.
No meio de toda adrenalina lá estava na partida, o ambiente era alucinante, cerca de 300 atletas em alvoroço, mas o nervosismo estava estampado no rosto de cada um, 123kms impõe muito respeito.
Sem me aperceber tinha dado inicio a prova, companhia inicial de 2 grandes atletas portugueses Telmo Veloso (Companheiro de treino) e João Faustino (Ultra maratonista experiente), os 1ºs km foram feitos na areia, mas sempre a bom ritmo, mal saímos da praia entramos num percurso cheio de pedra solta, de seguida estávamos a entrar na Montanha, seriam 82kms até ao ponto mais alto 1930m.

 Tinha deixado para trás os meus companheiros, fui atrás de 2 atletas, espanto o meu quando reparei que um deles era Lizzy Hawker atleta da THE NORTH FACE, vencedor do Ultra Trail Du Mont Blanc 2010, passei por ela a todo o gás. Entretanto estava com mais 4 corredores, a corrida tinha só agora começado, rola-se a um ritmo alucinante, as subidas eram enfrentadas como se fosse a ultima, andei uns bons km na pendura destes tipos, pensava eu que me estavam a “obrigar” a tomar a dianteira, e lá fui para a frente, a subida nunca mais terminava, era feita com as mãos nos joelhos, ao chegar ao topo apanhávamos uma estrada de asfalto para chegar ao KM 30: Ayagaures, abastecimento líquido, quando abastecia reparei que os tinha deixado para trás, estava com 2h.28m.
Começava a chover, altura de vestir o impermeável e calçar as luvas, pois o frio já se sentia. Estava com 3horas de prova, teria que enfrentar as dificuldades do percurso (muita pedra escorregadia), mas a preocupação principal, visto que a visibilidade era pouca (chuva encadeava o frontal), era não perder de “vista” as fitas reflectores de indicação do percurso (estava muito bem marcado, em muitos pontos com sinalização luminosa), sentia que a partir daquele momento, ia começar a doer.
Já rolava algum tempo sozinho, não avistava luzes de frontais a trás de mim e muito menos a frente; tinha conseguido o equilíbrio mental e físico, estava em piloto automático, naquele momento o principal objectivo era progredir o máximo e rápido até ao amanhecer. No abastecimento dos 42kms, houve o 1ºcontrol de passagem, disseram-me “estás em 5º”, naquele preciso momento a classificação era o que menos importava, não devia distrai-me do objectivo principal (fazer a minha prova, o resto que vier é por acréscimo). Até ao abastecimento dos 62kms o tempo passava lentamente, ainda não havia sinais na montanha do sol nascer, eram 6h.20min, depois de abastecer e sair a fugir, fez-se luz, o sol do outro lado estava a dar sinais de vida, corria lentamente em sua direção, amanheceu, hora do pequeno-almoço, mais um gel…o corpo pedia café e uma cama, o sono estava a apoderar-se de mim, mas tinha que acordar…
Agora estava a enfrentar a parte mais dura da prova, +- 20kms em subida, até ao ponto mais alto 1930m, terreno muito técnico e em single tracks, muita rocha, zona com cordas para facilitar a progressão pois as subidas eram autênticas paredes, parecia que estava a escalar, 19kms em 3h.5m, palavras para quê…uma dureza.
Chegada a Garañón km 81 (abast.Sólido e Liquido), mais um controlo de passagem, era altura de repor as energias, entrei no acampamento, fui directo a café, mas fui interrompido, por um membro da organização “ verificacion de material obligatorio”, além de me ter interrompido o pequeno-almoço, não entendi muito bem o porquê, dei-lhe a mochila para as mãos “vê tu, que te de comer”, agora sim estava a saborear o tão desejoso café, mas com o olho numa massa com óptimo aspecto, foram 3 pratos de massa com chouriço, tantas horas a gel e barras energéticas, era um manjar.
Com aquela vontade toda de comer nem me apercebi, que tinha acabado de sair os atletas da prova dos 42kms (maratona), mal saio do acampamento, pareciam formigas pelos trilhos, comecei logo a ultrapassar os mais lentos, momentos de arrepiar, aplaudiam-me como se fosse um herói, quantos mais atletas da maratona passava mais eufóricas eram as suas manifestações de incentivo á minha pessoa, muitos até queriam tocar, outros perguntavam se precisava de algo, ao que eu respondia “necessito de unas pernas nuevas”, risos…, fisicamente foi muito desgastante, ter de fazer muitas ultrapassagem, em algumas descidas ter que travar, pois nos trilhos só passava um atleta e mal (single track), e num espanhol manhoso pedir alas a passagem, mas a nível psicológico foi muito bom, sempre tinha companhia e incentivo.
A chegada a Teror km100 (abastecimento), foi espectacular, a Vila estava cheia de pessoas, ao nível da Volta a França em bicicleta, entrei, fui directo a Coca-Cola, enquanto bebia chamaram pelo meu nome “Armando”, nem queria acreditar, Marco e o Luís no abast. Dos 100km, espectacular…rapidamente explicaram-me que tinham-se enganado no percurso, fizeram o desvio para a prova dos 96km, mas naquele momento a preocupação deles foi em dizer-me que estava em 5, e se precisava de alguma coisa, não hesitei e pedi ao marco 1gel, sabia que os últimos 23km iam ser longos, e açucare de absorção rápida são bem-vindos.
Despedi-me deles e fiz-me a estrada, os 16kms seguintes foram percorridos, num Parque de lazer, em asfalto e estradões, para quem levava 100kms nas pernas até não foram assim tão maus… mais um abastecimento km116, era o ultimo, hidratei bem, abasteci o porta bidão, agora sim, não me saía da cabeça que podia acabar a Transgrancaria em 5clas, mais 3 km percorridos e só pedia as pernas para aguentarem, do km 117 ao 121, foram um dureza para as articulações, estava a tentar correr em cima de pedras, a preocupação era não torcer nenhum dos pés…finalmente já se via a praia des las Canteras, os últimos 2 km eram em asfalto rumo á meta (junto ao Auditório Alfredo Krauss), quando entrei na marginal senti um arrepio no corpo, estava prestes a terminar mais uma aventura, 2meses de treino e muitos sacrifícios tinham valido todo o esforço, entro na reta da meta, ouço logo a minha fá nº 1 (Ivone Ferraz), já a conseguia ver, num abrir e fechar de olhos as nossas mão tocaram-se, tinha que cruzar a linha de chegada…terminado 14h32m,5ºclasificado…todo o trabalho, entrega, dedicação, sacrifícios, tempo; não foram em vão, mais uma vez tinha-me superado, abriu-me o apetite para novos desafios (mais longos).

Transgrancanaria 2011

Transgrancanaria 2011
No pódio com Sebastien Chaigneau

Transgrancanaria 2011

Transgrancanaria 2011
A nossa Bandeira